domingo, 27 de abril de 2014

Poema de Rua

Hoje estou em arrumações cá por casa, e no meio da minha papelada, deparei-me com um poema. Foi um poema que comprei no Bairro Alto, quando fui sair com umas amigas. Andava uma senhora com um cesto deles e a vende-los enroladinhos. Escolhíamos um rolinho e levava-mo-lo connosco. O que me calhou foi o seguinte:

"Deixa
Deixa-me aprender sobre ti
A tua vida é-me ampla
E essa amplitude
O meu horizonte
Na Paisagem do nosso amor.
Quero ser um caracol e percorrer lentamente
as tuas vagens
como que um vegetal fosses.
Eu e a minha esplêndida casa
Percorrente e selada a ti,
Sem destino
Vou e volto
Esperando que a brisa suave
Nos emudeça
E, assim, floresças.
Vou e volto nesse cavalo suave
Adentro a maresia,
Esperando a tua aquiescência...
Que queres?
A mim?
Não...por certo,
És demasiado triste,
Oprimido e cansado
E assim o meu discorrer
Sobre a tua rota
Adentro quimeras
Já não me cria ilusões
Antes me faz
Crer ser o último dos românticos."

Como não sei o nome da senhora que escreveu este poema, fica "by Senhora do Bairro Alto".
E gostei da mudança a meio do poema, parece que ela se revolta e manda o homem á fava. Uma mini telenovela com rimas, só faltava que alguém arremessa-se tudo de cima da cómoda para o chão enquanto citava o poema: "És demasiado triste" e pumbas, tudo para o chão.

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